Diabetes e Qualidade de Vida

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Pâncreas Artificial
Eu particularmente acompanho a evolução da tecnologia relacionada ao diabetes desde que me entendo por gente. Meu pai era portador de diabetes infanto (tipo 1) desde os 2 anos de idade (1947), sua expectativa de vida era 16 anos. Ele a superou, construindo uma vida e uma família.
 
Estudou medicina para se tornar cirurgião, mas, como  “a vida é o que acontece enquanto fazemos outros planos” (Lennon), ficou cego aos 27 anos em função da retinoplastia diabética. Passou por 2 cirurgias caras e complexas, uma em Londres e outra em Los Angeles, voltando a enxergar parcialmente, até ficar completamente cego aos 32. Me viu bebê neste período.
 
Em função da cegueira, decidiu abandonar a cirurgia e se tornar endocrinologista. Não satisfeito, foi reconhecido como um dos melhores do país, clinicando, pesquisando e apresentado seus resultados. Nos congressos, contava com os olhos de minha mãe para organizar os slides. No consultório, tinha a ajuda de um médico mais novo. Na pesquisa, contava com a tecnologia: o OPTACOM, um aparelhinho que dava estímulos elétricos para cada letra. E para andar nas ruas, quando circulava ao redor de nossa casa, servia-se dos meus ombros.
 
Não, não havia sintetizadores de voz para ler aos cegos. Não havia cirurgias a laser para corrigir a retinoplastia, especialmente no Brasil. Não havia chocolates DIET de qualidade. Havia pouquíssimos adoçantes, poucas alternativas. Havia poucos fármacos eficientes. A insulina não era sintética e muitas vezes era experimental. Não havia injetores por pressão, especialmente portáteis. Com isso, vivia injetando insulina com seringas de vidro e agulhas de aço esterilizadas no fogão. Muito ainda pode ser feito, mas certamente estamos evoluindo.
 
Ele era independente e surpreendente, um farol na minha vida e na de muitos que me param até hoje, 27 anos após sua morte aos 42 em 1987, para contar histórias e dizer como ele mudou suas vidas. Ter conhecido Antônio Mollicone, o Tonico, é #fatoBom.
 
Abaixo uma das promessas para melhorar a dosagem da insulina, em diversas abordagens:

2 comentários em “Diabetes e Qualidade de Vida

    Lilian disse:
    agosto 30, 2014 às 9:16 pm

    Muito bom Marcelo. A retinopatia é uma complicação da diabete muito séria . Há alguns dias atrás a médica que trabalha comigo estava contando do médico endócrino que cuidava do pai dela que era cego e era muito bom e era o seu pai.

    Curtido por 1 pessoa

      mollicone respondido:
      agosto 31, 2014 às 12:50 am

      Pois é Lilian, até hoje vem referências como estas. Mande um abraço meu para ela.

      Curtido por 1 pessoa

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