Entendendo as favelas brasileiras

Postado em Atualizado em

Um país chamado Favela
Um país chamado Favela

Renato Meirelles, presidente do Instituto Data Popular e Celso Athayde, ativista e produtor lançam essa semana o livro Um país chamado Favela – A maior pesquisa já Feita sobre a Favela Brasileira (Editora Gente) que analisa os dados da pesquisa Radiografia das Favelas Brasileiras.

Segundo a pesquisa, realizada com 2 mil moradores de 63 favelas na Bahia, Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, se  as favelas fossem um estado seria o quinto mais populoso capaz de movimentar 64 bilhões de reais por ano.

Em entrevista para divulgação do livro Meirelles e Athayde comentaram alguns dados da pesquisa. Eles contam que os moradores se enxergam como empreendedores dinâmicos e otimistas que reconhecem a estabilização econômica do governo Fernando Henrique Cardoso e a expansão da renda do governo Lula, mas que a principal causa da nova condição social é o próprio esforço.

Perguntados sobre o que mais surpreendeu na pesquisa, ambos ressaltaram a quebra do estereótipo de que os moradores querem sair da comunidade. Apesar das dificuldades 81% dos moradores gostam da comunidade e 66% não querem sair da favela.

Surpreende também a economia das favelas que movimentam R$64,5 bilhões por ano com um salário médio de R$1.068,00. Segundo Meirelles os salários que mais cresceram foram os de empregos de menor qualificação, muito comuns entre os trabalhadores da favela. Ele ressalta que ainda são salários baixos, mas traz grande dinamismo econômico na comunidade.

Uma das grandes preocupações dos moradores das favelas é a violência, 73% consideram a favela onde vivem violenta mas acreditam que a população que vive fora da favela tem uma visão exagerada do que acontece. 75% aprovam a pacificação das favelas, sendo 55% totalmente a favor e 20% parcialmente a favor.

Athayde encerra explicando porque 95% dos moradores das favelas se declararam felizes:

Muitos de nós crescemos com muitas privações, não tivemos nem metade das oportunidades de nossos filhos, nem acesso ao que eles têm hoje. Dificuldades persistem, mas boa parte delas conseguimos superar. Batalhamos e vimos a nossa vida melhorar. Muito do que conquistamos se deve a nosso próprio esforço e ao apoio dos parentes, amigos e vizinhos que também moram na comunidade. A rede de solidariedade da favela, em que um vizinho toma conta do filho do outro, e os vínculos que se criam por lá são mais fortes que os laços que se tem no asfalto. Por isso, nos consideramos felizes. Sentimos orgulho da favela e não abrimos mão de nossas origens.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s